AUDIÇÕES QUE VALEM A PENA

Aclamado pela crítica como um dos mais talentosos e virtuosos violonistas da atualidade, Yamandu Costa não ostenta tal título à toa. Basta conferir o recente álbum Lida, que conta com as colaborações do violinista Nicolas Krassik e do contrabaixista Guto Wirtti, para constatar o que eu digo. Munido de seu violão sete cordas ele executa com destreza um repertório que aponta para a música de raízes rurais (lembrando que não há vocais), dedilha com classe e faz do instrumento também percussão. Mesmo que você não seja um fã ardoroso de temas instrumentais, tenho certeza que vai curtir as composições pela qualidade que elas apresentam e pelo som agradabilíssimo proporcionado pelo trio super-entrosado.

 

Visite: www.yamandu.com.br  

 

Destaques: Baionga (fx 01), Lida (fx 4), Bem Baguala (fx 06) e Adentro (fx 08).

 

O nome de batismo é Fabio Luiz, atende pelo codinome Parteum, além de produtor de música hip hop, é um dos rimadores que integra o grupo Mzuri Sana. Em 2004 ele lançou o seu álbum solo, Raciocínio Quebrado, trabalho que sequer tem a fama de um À Procura da Batida Perfeita (do Marcelo D2), mas é tão bom quanto – embora sem tanto apelo pop. Parteum, sem nenhuma sombra de dúvida, compõe bases rítmicas sintetizadas de dar inveja em Kanye West. Tendo o jazz e o soul como referências musicais, mano Fabio utiliza fraseados melódicos e nuances harmônicas de forma muito inteligente para dar sustentação às suas rimas, que soam intrincadas aos ouvidos acostumados com letras de fácil assimilação. A interpretação vocal ainda é muito influenciada pelo sotaque norte-americano, o que não chega a prejudicar o resultado final (bem acima da média).

 

Visite: www.parteum.com

 

Destaques: A Primeira Parte (fx 01), Época de Épicos (fx 03), Tudo Que Ainda Pode Ser (fx 06) e A Fórmula (fx 12)  

EFEITO TCHUBARUBA

 É fácil prever o que acontecerá com um artista, ou quais os rumos que sua carreira irá tomar, quando a mídia começa a encher a bola dele com adjetivos ‘elogiosos’, porém duvidosos. O tal artista acaba se tornando “a coisa mais genial da música de todos os tempos da última semana” (por alguns meses). Aí a gente pára e pensa: “Isso tem cheiro de armação, já vi esse filme antes”.

 

Rapidamente começam a promover esse artista – parido pela internet – que será a pauta de matérias em jornais e revistas, que será entrevistado pelo Jô Soares, que será cooptado por uma grande gravadora, que tocará na próxima cerimônia do prêmio dos melhores vídeo clipes do ano (consagrando consagrados!), etc. Enfim, tudo aquilo que eu e você já sabemos.

 

Nada disso seria questionável se o tal artista tivesse  qualidades realmente admiráveis que justificassem tanta bajulação. E nada disso é possível se não tiver alguém investindo muito dinheiro e forçando a barra com algo que percebe-se não ter consistência, por mais que tenha carisma e seja uma doçura. É exatamente isso que eu enxergo na menina Mallu Magalhães, ao assisti-la cantando no programa Caldeirão, da Rede Globo, que foi ao ar em 23/08.

 

 Não se trata de implicância com a simpática jovem  – sensação na rede mundial de computadores, já teve mais de 1 milhão de acessos em sua página do MySpace –, é apenas uma questão de visão (ou todos estão cegos?). Sinto a adolescente, de 15 anos, um pouco desconfortável no meio de todo esse “auê” e pressionada pelo “encantamento” de certos adultos para se portar como a musa da nova M.P.B., coisa que ela não é, por ser ainda imatura musicalmente (no que diz respeito à originalidade e personalidade artística).

 

Tão “sufocando” tanto a garota que lhe falta ar para cantar de maneira segura (ou é mais uma que evoca Bob Dylan? Hummm...). Ela interpreta suas composições com delicadeza como quem declama um singelo poema juvenil, é verdade, mas não há arroubos que me façam concordar com Luciano Huck ao dizer que Mallu é um “megatalento” e que o destaque que a moça vem recebendo é “mais do que merecido”. Como dizia Renato Russo... AINDA É CEDO.

MEXER, COLAR, MISTURAR

Fazer remix é uma prática dominada eximiamente por D.J.`s especializados e produtores de música eletrônica, que na maioria das vezes subvertem a canção original –  apresentando um resultado que pode agradar ou decepcionar. Partindo do zero, eles utilizam uma voz à capela gravada (interpretação vocal sem nenhum acompanhamento instrumental) ou samples (amostras ou pequenos trechos melódicos, harmônicos ou rítmicos) para reconstruir uma determinada composição musical, onde é permitido adicionar outros instrumentos. Misturar tudo novamente é um verdadeiro desafio para os profissionais de estúdio, movidos pelas inúmeras possibilidades de transformação sonora. Foi pensando nisso que decidi abrir os arquivos – apenas os vocais – de duas músicas clássicas do repertório do projeto S.U.P.R.A. Vida Secular! e disponibilizá-las para que qualquer remixador possa mexer livremente, desde que os créditos sejam dados ao autor da obra lítero-musical e ao intérprete da gravação.

 

A cappellas disponíveis em: www.overmundo.com.br/overmixter/media/people/supra-vida-secular

 

Confira também minhas colaborações em banco de cultura virtual (publicadas ou em votação): www.overmundo.com.br/perfis/supra-vida-secular

 

 

A CARTA

A versão brasileira da revista mensal Rolling Stone vem sendo publicada desde outubro de 2006, de lá pra cá já foram 23 capas, mas só recentemente um homem negro ganhou destaque como matéria principal – na edição nº 22, julho de 2008. O fotografado da vez foi  o candidato à presidência dos Estados Unidos Barack Obama. Fiquei tão surpreso que não pude deixar de manifestar a “ousadia” da publicação ao colocar um afro-descendente no foco das atenções e a importância deste. Digo isso porque 99% das matérias de capa são feitas com personalidades de pele branca (artistas, músicos, políticos, modelos, etc.). Se “tudo que importa” é cultura pop, música, moda, política e comportamento os negros não podem ficar de fora, deveriam estampar a primeira página pelo menos seis vezes ao ano. Afinal, a indústria cultural se resume apenas a rock and roll e a meninos e meninas caucasianos? A carta foi publicada na edição nº 23 (Página 12 – capa: Paulo Coelho, agosto de 2008).

MAGIA TEATRAL

 Desde que ouvi “falar” – ao ler a saudosa e extinta Revista BIZZ em 2007 – de uma tal trupe/banda chamada O Teatro Mágico pela primeira vez, fiquei interessado em conhecer a música que agita as apresentações desse grupo circense oriundo de Osasco (S.P.). No entanto, a audição do primeiro álbum (Entrada Para Raros) só foi acontecer recentemente, depois que consegui baixar todas as faixas produzidas por Fernando Anitelli – intérprete e mentor do projeto. Não demorou muito e o trabalho seguinte foi lançado e disponibilizado na rede sob o título de Segundo Ato, que também já adquiri inteiramente grátis com o consentimento do próprio músico. Anitelli, que musicalmente se diz influenciado por Tom Zé e Dave Matthews Band, é a favor da pirataria saudável e quer mostrar que música pode ser distribuída através de um novo modelo, sem precisar do auxílio dos esquemas da indústria fonográfica tradicional.

 

 Inspirado por Herman Hesse, escritor alemão, o palhaço-líder batizou a trupe e o CD de estréia retirando os nomes de uma única frase do literato europeu. O Teatro Mágico mescla artes cênicas e circo com melodias e poesia; tem em sua formação – além de malabaristas – instrumentistas e até um disc-jóquei. Enquanto o vocalista tem um timbre que faz lembrar ora Zeca Baleiro, ora Humberto Gessinger (Engenheiros do Hawaii); as letras brincam o tempo todo com um interessante jogo de palavras, isso sem falar do lirismo melódico. Nota-se claramente de Entrada Para Raros* para Segundo Ato** uma grande melhora na qualidade de gravação, execução e produção musical. A única coisa que não gostei foi saber que após a concepção de mais um disco (que irá completar uma trilogia) o grupo vai acabar.

 

 

 

Destaques: A Pedra Mais Alta*, Prato do Dia*, O Mérito E O Monstro** e Cidadão de Papelão**.

 

 

CONTAGEM REGRESSIVA: LANÇAMENTO!

 Respeitável público, é com grande prazer que venho anunciar que a partir do dia 1º de outubro, data muito especial, estará disponível para que todos ouçam o tão aguardado Ritmada Eloqüência Poética (Vol. 1: EP), o álbum de estréia do S.U.P.R.A. Vida Secular!

 

Faixa à faixa:

 

Causa Primária [inédita]

Música com arranjo de rhythm & blues, tem um clima harmônico que somado à melodia e ao suingue inspira leveza, falando de fé e devoção sem pieguice.

 

Samba do Vacilante (Que Pensa Que É Gigante)* [remasterizada]

O encontro dos versos do partido alto com as batidas do hip hop, que resulta numa canção contundente e cheia de personalidade. Lançada originalmente no single Compacto Simples (Mente), de 2005.

 

Sorriso Miserando [versão exclusiva]

Inspirado na dura vida dos moradores de rua, esse baião eletrônico usa a metáfora do riso para falar de uma situação lamentável, com a qual nos deparamos todos os dias nas grandes cidades.

 

Chá de Boldo [inédita]

A receita é simples: coloque num recipiente com água algumas folhas da planta verde e ferva ouvindo esse som. Depois é só servir numa xícara (com ou sem açúcar) para aquela pessoa que acordou com uma tremenda ressaca. Recomendo ouvir várias vezes ao dia após a bebedeira.

 

O Grande Espetáculo* [remasterizada]

Imagine uma grande orquestra dando o tom e o balanço de uma batida hipnótica servindo de base para o intérprete entoar rimas afiadas celebrando a música. Esse rep (ou ritmo e poesia) com mais de seis minutos de duração passa essa idéia e homenageia feras como Egberto Gismonti e Hermeto Pascoal. Lançada originalmente no single Compacto Simples (Mente), de 2005.

 

 

Hipnose Eletrônica (Um Manifesto Anti-alienação)

Letra extremamente articulada que trata de um assunto polêmico: a influência negativa da TV, além de alertar o telespectador para uma visão mais crítica em relação ao conteúdo do que é exibido.

 

Vis-À-Vis [inédita]

 Uma das canções mais lindas compostas nesse século não poderia falar de outra coisa: AMOR! Balada ao estilo samba de bossa com uma interpretação marcante e arranjo apaixonante. É de partir o coração.

 

Todas as composições lítero-musicais são de autoria de Gustavo “Gêiser” Nobio [© 2008 - Editora Peripécia Poética].

Produção musical: Gusnob Mac Lou, Raul Rachid (Saara Saara) e Bruno Marcus* (Tomba Records).

Produção executiva: Nobio Da Paz Produções Musicais.

 

 

Obs: a princípio o EP ficará liberado para audição com exclusividade no site Virb, e somente em novembro o CD (devidamente mixado e masterizado, c/ encarte de letras + bônus) será vendido. Os interessados poderão comprar contactando o artista por e-mail em sua página oficial.

 

 

 

VOCÊ SABIA...

... que China significa “país do centro” ou “império do meio”? Assim os ancestrais chineses caracterizavam sua nação ao surgir há cerca de três mil anos atrás.

 

VOCÊ SABIA...

 

... que a pipa foi inventada no ano de 480 antes de Cristo na China? Foi trazida para o Ocidente pelo mercador e viajante italiano Marco Polo (que também trouxe o macarrão) e ganhou diversos nomes e formatos ao longo do tempo. Os chineses também inventaram a bússola, a impressão, o papel e a pólvora.

 

VOCÊ SABIA...

 

... que, atualmente, 95% dos brinquedos comercializados no planeta são fabricados por indústrias chinesas? É importante dizer que boa parte desses produtos é de qualidade duvidosa.

 

 Com o enfraquecimento do Comunismo, a China abriu as portas para o mundo e iniciou um processo de acelerado crescimento econômico e tecnológico, abraçando de vez o Capitalismo. Por outro lado, o governo do país ainda mantém resquícios de um regime autoritário, limita a liberdade de expressão, fere direitos civis e reprime jornalistas de pensamento independente.

 

UMA FLOR ROXA E BRANCA BROTANDO NO ROCK

 O que grupos de rock nacionais como Luxúria, Leela, Ludov e Manacá têm em comum? Uma mulher ao vocal enquanto os rapazes executam os instrumentos. Mas é a última banda citada que me chamou mais atenção por sua proposta musical, embora tenha menor tempo de carreira e de experiência. Manacá é um conjunto carioca que incorpora ao seu som roqueiro o lirismo poético inspirado em elementos do folclore do Brasil, além da influência dos ritmos regionais. O nome da banda foi retirado do livro O Romance da Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, que de acordo com a história é uma flor usada para a feitura de um certo chá “alucinógeno”.

 

Eu já tinha ouvido uma ou outra música do quarteto e só agora parei para fazer uma audição atenta de algumas demos que baixei. A canção Diabo, composta por Letícia Persiles (vocalista), é uma das mais bacanas e poderia ser o primeiro single assim que lançassem o álbum de estréia. O Galo Cantou (versão voz e violão) destaca-se por seu arranjo emepebístico –  que remete a Tanto Mar, de Chico Buarque. Pra quem pensa que só Los Hermanos é capaz de produzir um rock carregado de melancolia e nostalgia eu recomendaria a música Gaiola. A pauleira rola solta (com capacidade de animar o público pop-rock) e mostra a veia visceral do grupo através de Lua Estrela e Rosa Branca E Romã.

 

A banda Manacá, pelo que eu percebi, tem potencial e se for lapidada certamente vai ocupar grandes palcos. Só achei que as guitarras estavam um pouco altas, deixando a voz em segundo plano. Tanto cantora quanto instrumentistas, numa opinião sincera, precisam explorar mais as suas técnicas e com isso evoluir – trata-se apenas de uma questão de tempo. Eles estão no caminho certo e não é à toa que são empresariados pela Na Moral (produtora dirigida por Marcelo Lobato, d`O Rappa) e já ganharam produção de ninguém menos que Mario Caldato Jr. – que por sua vez está produzindo a nova sensação da internet Mallu Magalhães e já produziu Marisa Monte, Marcelo D2 e Beastie Boys. 

 

Desejo bom êxito à “flor roxa e branca do roque”!

 

BALANÇO NOTA MIL

 Ele é reverenciado por diversos artistas, de Martinho Da Vila, passando por Zeca Pagodinho até Ed Motta; é considerado o rei do ritmo, iniciou a carreira como pandeirista e consagrou-se como um dos melhores intérpretes da música brasileira graças à sua peculiar divisão vocal. Milton Santos de Almeida  que já foi integrante do Bando Da Lua, grupo que acompanhava Carmen Miranda em shows pelos Estados Unidos na década de 1940 – é popularmente conhecido como MILTINHO, cantor de voz nasalada, cheio de suingue e telecoteco, que completou 80 anos em janeiro. Para celebrar vida e carreira, esse respeitável senhor ganhou de presente uma coletânea à altura de sua importância musical: Miltinho Samba E Balanço, edição comemorativa que compreende dois CDs com 14 faixas cada um.

 

O repertório, compilado e produzido por Rodrigo Faour, abrange a fase quando o cantor fazia parte do elenco da gravadora Odeon (de 1966 a 1976). É simplesmente sensacional ouvir o grande MILTINHO passear com toda sua técnica rítmica pelos mais variados tipos de samba; samba de bossa, samba-jazz, samba de morro, samba de gafieira, sambalanço e maxixe. A banda que o acompanha nas gravações é outro atrativo, pois prepara a base de maneira virtuosa e com acentos jazzísticos, além dos ataques de metais e orquestrações que marcaram uma época. Coisa fiiiiiiiiiina!

 

Destaques

CD 1: Samba No Leblon (fx1), Helena, Helena (fx2), Lampião Vadio (fx6), O Lindo de Você (fx7), Moeda Quebrada/Leilão (fx10) e Louca (fx14).

 

CD 2: Made In Mangueira (fx1), Na Base do Pingüim/Velho Gagá (fx3), Recordar É Viver/Gilda/Tome Continha de Você (fx4) c/ Doris Monteiro, Anamaria/Garota Moderna (fx8), Você Já Foi À Bahia/Um Vestido de Bolero (fx9) c/ Elza Soares, Laranja Madura (fx14).

 

 

 

 

 

[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
Visitante número: