ANJOS ROQUEIROS

 Quando um certo Durval Lima Junior decidiu por fim às atividades de uma dupla musical que formava com a irmã, iniciou-se as especulações a cerca de seus próximos passos. O gosto pessoal do rapaz e a camaradagem firmada com alguns músicos amantes da distorção já entregavam quais eram suas intenções para o futuro: cair de cabeça no pop-rock. Pois foi exatamente isso que o mano de sangue da Sandy, mais conhecido como Junior, fez; juntou-se ao baixista Champignon (ex-Charlie Brown Jr.) e ao guitarrista Peu Souza (ex-Pitty), assumiu a batera, convidou um vocalista e assim a banda se constituiu – recebeu o nome de Nove Mil Anjos.

Unindo experiência de integrantes egressos de conjuntos de grande popularidade – e figurinhas carimbadas da MTV – o quinteto dá um salto dos ensaios e processo de composição diretamente para as gravações do primeiro álbum (sob a batuta de produtor premiado), tudo em menos de 1 ano. Se o som do grupo for “radical”, da mesma maneira que sua formação representa um risco a correr, e agradar a molecada quer dizer que isso irá se traduzir em captação de público e contratação de shows – gerando rentabilidade, caso a proposta seja emplacar hits radiofônicos. O problema é: se a fama de “a banda do Junior Lima” soar mais interessante que a própria obra o projeto já estará condenado ao êxito quase nulo junto às massas, como é o caso do Revolucionários (banda formada por Champignon após sair do C.B.J.). O Tremula (banda formada por Peu após tocar por uns tempos com a Pitty) ainda continua fazendo - creio eu - algumas apresentações no circuito alternativo. Espero que isso não aconteça com o N.M.A., pois o terreno da música pop é cheio de morteiro.

E.P.s E FAIXAS AVULSAS

 É impossível viver sem música, isso é fato, e nos tempos de hoje em meio à correria do dia-a-dia – onde o tempo é muito curto para apreciar um álbum musical no conforto de casa – não possuir um iPod, MP4 ou um disc-man é condenar-se a ficar longos períodos na rua sem aquele sonzão bombando no estéreo dos fones de ouvido. Levando em consideração que o número de lojas disco reduz a cada dia, em função da queda das vendas, a internet é a melhor opção para se manter atualizado e baixar as últimas novidades.

O que a gente conhecia como vinil, que por décadas dominou as prateleiras, foi substituído pelo digital CD, mas esse já está agonizando – pelo menos como formato oficial para comercialização de música e não como mídia para armazenamento de arquivos – e a moda agora é o tal do mp3 manipulado através de tocadores portáteis. Tanto indústria quanto artistas estão mudando a relação com os vorazes consumidores de música; enquanto alguns sites vendem faixas avulsas outros oferecem álbuns inteiros de graça. Assim que eu soube, há uns meses atrás, que o Marcelo Camelo estava gravando o primeiro trabalho solo eu pensei: “Quando ele lançar o disco os fãs do Los Hermanos certamente vão comprar”. Engano meu, o vocalista e guitarrista da (extinta?) banda disponibilizou as dez canções de Sou para quem quiser fazer o download sem pagar um centavo por cada faixa (eu sou um desses “quem”).

A forma como se faz o lançamento de “fonogramas” hoje em dia se modificou radicalmente, um álbum não precisa ter necessariamente dez ou doze músicas, pode ter muito menos do que isso e tanto é verdade que muitas bandas e cantores todos os dias lançam na rede mundial EPs com quatro, cinco, seis ou sete faixas para serem adquiridos inteiramente grátis – no portal oficial ou em comunidades como MySpace ou TramaVirtual. De vez em quando tenho que fazer uma limpeza no meu computador e apagar dúzias e dúzias de arquivos que eu recebo ou que eu baixo, é lógico que antes de limpar eu gravo CD-Rs com centenas de mp3 – salvando os meus sons preferidos. Tenho escutado ultimamente: The Undercover Sessions (EP só com covers feitas pela banda Ill Nino), One Day As Lion (EP homônimo do projeto paralelo do Zack De La Rocha), Coquetel Acapulco (EP com quatro faixas da banda carioca), Donkey (segundo álbum do Cansei de Ser Sexy), China (EP Um Só e o álbum Simulacro do ex-vocalista do Sheik Tosado) Maquinado (seis faixas do álbum Homem Binário), Thiago Corrêa (EP com seis faixas chamado Thiago Corrêa Demo), Do Amor (seis faixas do álbum Ao Vivo No Estúdio Hanói) e por aí vai.

UM BANQUINHO, UM VIOLÃO E MUITA 'BABAÇÃO'

 A bossa nova, gênero musical que modernizou a M.P.B. fazendo a fusão da cadência do samba com harmonias de influência jazzística, está comemorando 50 anos de surgimento sustentada por muito prestígio – é sempre cultuada no exterior, embora jamais tenha conquistado a preferência do povão de sua terra natal. João Gilberto, uma das figuras centrais do movimento, volta à cena num momento oportuno ressuscitado pelas excessivas reverências à sua “genialidade” (como se ele fosse a fiel personificação da música).

 

Percebo que tanto crítica quanto os formadores de opinião se esquecem de outras figuras tão ou mais importantes do que ele, como Johnny Alf e João Donato, e ficam numa eterna babação em torno de um artista que, a meu ver, está longe de ser um gênio. Não estou dizendo que J.G. não tem talento ou que não tem seu valor. Sim, ele é dotado de qualidades como vários por aí – não é a toa que inventou a famosa ‘batida diferente’.

 

 Na minha concepção, ele é um bom violonista, constrói acordes interessantes, além do peculiar canto-falado; só que ninguém nunca vai me convencer que o excêntrico músico baiano é um cantor acima da média (uma famosa intérprete uma vez disse que ele é o “maior cantor do mundo”). Por que as pessoas têm medo de dizer que, pelo menos ao vivo, Gilberto derrapa na afinação vocal e às vezes atravessa o andamento musical? Eu não tenho! Quem nunca desafinou que atire a primeira pedra, ora; J.G. não é o deus da voz.

 

Ironicamente, ele é co-autor (em parceria com Donato) de uma das canções que eu mais curto cantar: Minha Saudade. A verdade é que a fama dele é maior que os próprios dotes musicais, isso o envolve numa aura mítica e o transforma numa lenda. Tenho enorme apreço por diversas músicas compostas pelo Tom Jobim gravadas por Gilberto, o que não dá pra aturar é o cordão do puxa-saco que corre solto pela mídia.

MARQUE O NOME DELE

 Ele é “o” cara dos graves, médios e agudos; produtor do momento e disc-jóquei de balada noturna nas horas vagas. Mark Ronson não brinca em serviço, como excelente hitmaker que é transforma tudo que toca em ouro e por ser um sujeito eclético trabalha com artistas diversos – imprimindo sua marca que é perceptível através de batidas suingadas com marcação sempre precisa (adoro a maneira como ele trabalha com os timbres ao  gravar bateria ou fazendo programação eletrônica). A canção Valerie, na voz da mui lôca Amy Winehouse, é esse tipo de produção ronsoniana que mexe com qualquer um convidando pra dançar. 

 

 Recomendo a audição do CD Version, álbum de releituras onde o mago do estúdio convidou vário(a)s vocalistas e músicos para dar uma nova roupagem a letras e melodias já conhecidas (ou nem tanto assim). Ronson escalou figurinhas carimbadas do pop, do rock e do funk-soul contemporâneo, entre outros como a banda Kasabian e a cantora Santogold.  

 

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